Escuta Clínica sobre saúde mental ouve 11 jornalistas na Capital

Com o objetivo de investigar o que adoece os jornalistas, foi realizada, durante três meses, em Palmas, a chamada Escuta Clínica, trabalho da mestranda e psicóloga, Jordanna de Sousa Parreira, aluna do Programa de Mestrado em Comunicação, Programa de Pós-graduação em Comunicação e Sociedade (PPGCOM) da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Ao todo, foram ouvidos 11 profissionais da área.

Realizado em parceria com o Sindicato dos Jornalistas do Estado do Tocantins (Sindjor- TO), a ideia do trabalho também foi dar voz aos jornalistas para que falassem sobre as suas vivências na profissão. Os 13 encontros ocorreram na sede do sindicato e na Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa).

As rodas de conversas traziam o tema: “Como está a saúde dos Jornalistas?”, proposta idealizada pelo estudo da psicóloga e que, posteriormente, vai transformar-se em uma dissertação e ficará disponível para que todos possam identificar onde estão os maiores problemas e como buscar as devidas soluções.

“Para o Sindjor foi muito importante a realização da escuta clínica, pois ela contribuiu de forma significativa para que os profissionais compreendessem os problemas que ocorrem no dia a dia no exercício da profissão e, assim possam buscar melhorias. Atualmente, o que mais afasta os trabalhadores do trabalho é a saúde mental, buscar entender e localizar os gargalos, construir situações que proporcionem saúde e o bem-estar é o grande desafio”, ressaltou a presidenta do Sindjor-TO, Alessandra Bacelar.

Transtornos

Cerca de 20% dos adultos tendem a sofrer algum transtorno mental em algum momento da vida. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, os transtornos mentais são a segunda causa dos atendimentos de urgência. Dentre os diferentes transtornos existentes, os ligados à depressão e ansiedade são os mais frequentes, as doenças do século como muitos especialistas dizem.

Por isso, a identificação dos transtornos e a aceitação deles na sociedade também é um grande desafio e discutir e esclarecer são maneiras importantes para se trabalhar a prevenção de tais doenças. Hoje, muitas empresas e profissionais já começam a dar mais atenção à saúde mental, ao bem-estar e à busca pela melhora na qualidade de vida de forma gradual.

De acordo com a psicóloga Jordanna Parreira, que é orientada pela também psicóloga e professora, Lilian Deisy Ghizoni, as rodas de conversas sobre saúde mental fizeram parte da primeira etapa do projeto de escuta clínica do trabalho, que hoje é uma teoria com método da Ana Magnólia Mendes, da Universidade de Brasília (UnB). “Esse projeto visa um espaço de fala para os jornalistas em relação ao sofrimento e ao prazer que hoje ele encontra no trabalho. Nós sabemos que estamos vivendo num cenário da precarização do trabalho dos jornalistas, pelas mudanças também até do próprio direito do trabalho da CLT, então, tem uma série de movimentos sociais que vêm acontecendo na contemporaneidade que estão afetando diretamente a vida destes profissionais, e foi diante deste cenário que a gente propôs essa escuta clínica”, explicou.

Relatório da FIJ registra 121 assassinatos de jornalistas em 2012

Com 6 casos, o Brasil ficou em 5º lugar na lista de países com mais assassinatos de jornalistas e trabalhadores da mídia em 2012. O relatório apresentado pela Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) no dia 31 de dezembro registra que o ano passado foi um dos mais sangrentos para os jornalistas.

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